terça-feira, 20 de outubro de 2009

IOF para estrangeiro seca fluxo externo e pesa no Ibovespa

por Aluísio Alves de Reuters

20 de Outubro de 2009 18:56

SÃO PAULO (Reuters) - O início da taxação do investimento estrangeiro no mercado acionário doméstico entupiu o fluxo de recursos novos para a bolsa paulista, que teve nesta terça-feira seu pior dia em quatro meses.

Depois de ter chegado a cair quase 5 por cento no pior momento da sessão, o Ibovespa ainda se recuperou parcialmente, mas ainda fechando com baixa de 2,88 por cento, aos 65.303 pontos, a baixa mais severa desde 22 de junho.

Embora o estado de espírito do investidor tenha destoado do otimismo das últimas semanas, o giro financeiro da sessão manteve a tendência recente, somando 8,93 bilhões de reais.

De acordo com profissionais do mercado, a medida anunciada na véspera pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que implica na alíquota de 2 por cento de IOF na entrada do capital externo para renda fixa e ações, produziu um movimento instantâneo de realização de lucros, depois de o Ibovespa ter atingido sucessivas máximas em 2009.

"Paralisou a entrada de fluxo externo", disse um operador de uma corretora paulista, sob condição de anonimato.

Companhias tidas como as maiores prejudicadas pela medida, como as que estão fazendo oferta pública de ações, e a BM&FBovespa, sob temor de ter parte da liquidez desviada para os mercados de Wall Street, protagonizaram as maiores baixas.

A ação da BM&FBovespa teve o pior desempenho do índice, tombando 8,4 por cento, para 12,41 reais, em meio a temores de que parte da liquidez doméstica será desviada para os mercados de Wall Street.

Logo atrás, Cyrela Brazil Realty caiu 6,2 por cento, a 25,32 reais, seguida por CCR, com baixa de 5,6 por cento, a 33,60 reais. Ambas estão captando recursos por meio de ofertas de ações. O temor é que a incidência de IOF esfrie o interesse pelos papéis por parte dos estrangeiros, que têm comprado cerca de 70 por cento dos papéis vendidos em operações como essas.

Se por um lado a medida parece ter conseguido reunir uma avaliação praticamente unânime de analistas quanto ao potencial efeito nocivo sobre o mercado, o mesmo pode ser dito quanto à eficácia delas no médio e longo prazos.

A avaliação dominante é que os fatores-chave para guiar o fluxo de recursos --o efeito da alta das commodities sobre blue chips domésticas, expectativa de forte crescimento do PIB brasileiro em 2010, liquidez internacional e bons fundamentos da economia do país-- prevalecerão no médio prazo.

"Pode reduzir o ritmo de valorização dos ativos brasileiros, mas não a tendência", disse o analista José Raymundo Faria Júnior, da Wagner Investimentos.

Até o dia 15 deste mês, a entrada líquida de investimento estrangeiro no mercado à vista da Bovespa em 2009 atingiu 22,15 bilhões de reais, sendo um dos principais componentes para a valorização de 79 por cento do Ibovespa no ano até 19 de outubro.

Em relatório, o Citi manteve a previsão de que o Ibovespa alcançará 70 mil pontos em dezembro. O JP Morgan sustentou a recomendação de desempenho acima da média para as ações brasileiras.

No plano internacional, o desempenho fraco das bolsas nova-iorquinas e das commodities, num dia de índices econômicos surpreedentemente negativos nos Estados Unidos, reforçaram o movimento de realização de lucros. Em Wall Street, o índice Dow Jones caiu 0,5 por cento.

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